quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O dia sem fé e esperança.

Para nós, cristãos, não temos dúvidas que as palavras fé e esperança são palavras muito preciosas. Em mundo caido, deturpado e sombrio, a fé e a esperança nos dão motivo suficiente para continuarmos firmes e convictos que um dia Deus irá se manisfestar dando um fim a tudo isso. Recebemos golpes de tragédias, solavancos de noticias ruins, lutamos contra nossas falhas de caráter e seguramos o mais apertado possivel na fina, porém resistente, corda da fé que é entrelaçado com a esperança. Choramos pela dor daquilo que vem contra nós; caimos e levantamos, e tornamos a cair e levantar. Seguimos ora pelas montanhas, ora por vales fundos e escuros. Às vezes precisamos de uma mão para nos erguemos e recebemos um empurrão. Às vezes precisamos de uma palavra graciosa e recebemos um insulto. Somos bombardeados pela injustiça, pela miséria, pela desgraça, pelas dúvidas, pelos nossos erros e, de alguma forma, precisamos ficar lúcidos nesse mundo para que não sejamos agentes desses mesmos acontecimentos. A fé e a esperança em Cristo, nos proporcionam essa força desbravadora para a gente prosseguir nesse mundo carente de graça e repleto de desgraça. Por isso:

Eu espero ansiosamente um dia.
Um dia que não haverá mais a razão de se ter fé e esperança,
pois veremos aquele que tudo fez.
Como ter fé? Se podemos tocar
Como ter esperança? Se podemos ver
Seremos completos
Repletos de Deus
E a Sua glória nos transformará
Muito mas do que podemos imaginar
Não sei quando
mas aguardo o dia em que a minha preciosa fé e esperança
Não vão mais existir.
Algum dia, eu sei.
Mas somente nesse dia.
Enquanto isso, vou guardá-las como uma bem muito precioso.
E assim seguirei rumo a Cristo.


F. Mastrillo

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

POR QUE DEUS NÃO INTERVÉM?

Para começar, quero dizer que não sou qualificado para responder essa questão. No entanto, gostaria de fazer algumas observações acerca dessa pergunta intrigante. Vamos considerar que o contexto no qual está inserida essa questão seja o sofrimento e a existência do mal. Então, por que Deus não intervém?
A primeira observação que consigo fazer a respeito dessa questão, encontra-se no próprio homem. Vamos ser realistas, se Deus realmente interviesse, será que ainda existira a raça humana? "Por que estou falando isso?" Seria talvez a sua pergunta. Eu responderia que para quase 100% do sofrimento humano, 80% a 90% seria ocasionado pelo próprio homem. Não é verdade? Basta dar uma pequena espiada na História. Cruzadas, 1° e 2° Guerra Mundial, os campos de concentração, as outras guerras, o avanço tecnológico, as novas políticas mundias, as novas ideologias e tendências, os confrontos religiosos, os assassinatos, os roubos, as mentiras, a inveja e etc. Grande parte do sofrimento humano é gerada pelo próprio homem. Se Deus interviesse, com certeza teria que fazer de nós marionetes ou nos exterminar de uma vez por toda.
Segundo é nossa crença na imortalidade. Quando, geralmente, alguém pondera sobre essa questão, o seu íntimo está realmente querendo que Deus interviesse mais para que, ele mesmo, não tivesse que assumir as responsabilidades de cada decisão que deve tomar. Vamos supor que uma pessoa passou a vida toda comendo comidas gordurosas, vivendo uma vida de ócio e se estressando muito. Essa pessoa casa e têm dois filhos. Então, ela morre de um súbito ataque cardíaco. O seu filho, posteriormente, pergunta (não de uma forma normal e saudável como todos nós faríamos, ao invés disso, ataca Deus sem piedade): por que o Senhor não interviu? Mas vamos ser um pouco mais sensato. Por que o pai dele não parou de comer aquelas coisas ou por que o pai dele não começou tomar conta da sua saúde de maneira mais séria? A verdade, é que a crença da imortalidade que aquele menino tinha, nunca leva em consideração que Deus não é nenhum reparador de decisões mal feitas (e que geralmente são tomadas sem buscar sabedoria de Deus) ou um mágico da lâmpada, que responde a nossa petição instantaneamente como bem entendemos, sem pensar se aquilo nos fará mal ou não. Ele, o filho, não levou em conta que Deus nos atribui a responsabilidade de nossos próprios atos.
Terceiro (e último), é que aprendi que muito acerca de Deus é conhecido através de Cristo, ou seja, Jesus nos revela quem Deus é. Então, vamos observar como Deus agiu com Jesus, que é o próprio Deus encarnado. Cristo havia orado um pouco antes no Getsêmani para que Deus interviesse, para que Deus o poupasse daquela horrenda hora que se aproximava. A resposta de Deus a essa oração o levou a cruz, a tão temível cruz para os romanos e os demais. Então, pendurado naquele madeiro, Jesus clama para Deus intervir: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste, por que o Senhor, meu Pai, não intervêm? Essa não é uma lição para Jesus, é para gente.
Vamos considerar que Deus interviesse naquele momento. Então, estaríamos no pecado. Provavelmente, não estaríamos mais vivos. Provavelmente o mundo estaria num verdadeiro caos, sem nenhuma esperança e direção. Se Deus interviesse ali, não existiria o cristianismo e não existiria muita coisa que hoje existe. Talvez não existissem as Ongs, que foram fundadas primeiramente por cristãos; nem talvez existisse leprosários ( hospitais para leprosos, muitos deles fundados por crentes piedosos); entidades que ajudam os necessitados; nem algumas grandes faculdades de renome mundial. Nem talvez teríamos o exemplo de Madre Teresa de Calcutá que pedia para nosso Senhor para ver Jesus em cada mendigo. Talvez não existisse o A.A, fundado por cristãos e que tem ajudado milhares de homens e mulheres com problemas com o álcool. Tudo isso e muito mais que foram criados a partir da mensagem de Cristo e a confirmação da Sua divindade através da sua ressurreição (vale ressaltar que muito desses benefícios salvaram milhares de vidas). E se Jesus não morresse, Ele não ressuscitaria. Não haveria salvação, porque não houve um sacrifício completo, santo e poderoso como o do nosso Senhor para pagar a nossa divida, cancelando-a diante de um Deus santo e justo. E se Deus interviesse naquele momento, impedindo a morte de Cristo, então como poderíamos ter a certeza que existe vida após a morte? Como teríamos a certeza que existe um céu? Se ninguém foi até lá... Como teríamos a certeza que um dia Deus nos ressuscitaria, se não tivéssemos um exemplo como o de Jesus Cristo. Graças a Deus que Ele não interviu naquele momento. Agora paremos e ponderemos a respeito de tudo isso. E se Deus intervir.... Será que seria o melhor mesmo para nós?
F. Mastrillo